Brechós: a ascensão de um negócio que virou tendência no Brasil
O aumento de brechós no Brasil, com um crescimento de 48,5% entre 2020 e 2021, reflete tanto a busca por economia em tempos de crise quanto a crescente consciência sobre sustentabilidade (quem diria que roupas usadas poderiam ser tão na moda?). Para donas de brechó, isso mostra que o mercado está aquecido e cheio de oportunidades.

Se você tem um brechó ou está pensando em abrir um, precisa saber que o cenário está mais favorável do que nunca. As mudanças constantes na moda e o resgate de tendências tornam esse tipo de negócio não só atrativo, mas também uma verdadeira mina de ouro. E não estamos falando apenas de um público específico: os brechós conseguem atingir jovens, adultos e até idosos, de todas as classes sociais. Afinal, quem não gosta de uma boa pechincha, não é mesmo?
O que é um brechó?
Os brechós têm raízes fortes na Europa e nos Estados Unidos, mas, acredite, eles conquistaram um espaço significativo no mercado brasileiro. Basicamente, são lojas que vendem artigos usados, como roupas, calçados, bolsas, bijuterias e até objetos de arte. O que antes era visto como uma opção para quem precisava economizar ou uma iniciativa beneficente, hoje se destaca como um dos segmentos mais promissores do varejo. E, sim, grandes marcas estão investindo nessa tendência.
O crescimento dos brechós no Brasil
A real é que o mercado de brechós está em alta. Segundo um levantamento do Sebrae, entre os primeiros semestres de 2020 e 2021, houve um crescimento de 48,5% na abertura de estabelecimentos que vendem produtos usados. Para se ter uma ideia, apenas nos primeiros seis meses de 2021, foram inauguradas 2.104 empresas desse tipo, enquanto no mesmo período de 2020 o número foi de 1.416. Esses dados mostram que a demanda por brechós não é apenas uma moda passageira.
Fatores que impulsionam o mercado
Mas o que está por trás desse crescimento? Vamos aos dois principais fatores:
- Crises financeiras: As crises financeiras são um fenômeno mundial e, com a inflação nas alturas, os consumidores estão cada vez mais em busca de alternativas. Ricardo Ramos, CEO da Precifica, explica que as compras em brechós podem representar uma economia de até 80% em relação às lojas tradicionais. No Brasil, onde a maioria da população pertence às classes C e D, essa demanda está diretamente ligada à necessidade de economizar.
- Sustentabilidade: O consumidor moderno está mais consciente sobre o impacto de suas compras no meio ambiente. A economia circular, que busca reaproveitar produtos em vez de extrair novos recursos, está em alta. Uma pesquisa revelou que 97% das pessoas acreditam que a moda está relacionada às alterações climáticas. A busca por produtos sustentáveis cresceu 71% nos últimos cinco anos, e no Brasil, os tuítes sobre o tema aumentaram 82%.
Brechós como estratégia de grandes marcas
O interessante é que o mercado de usados não é só para pequenos empreendedores. Marcas grandes também estão de olho nessa tendência. Um exemplo é a Lululemon, que fez uma parceria com o portal de revenda Truve, permitindo que clientes enviem suas peças usadas para serem revendidas. Isso mostra que até as grandes marcas estão se adaptando ao novo cenário de consumo.
No Brasil, temos iniciativas como o Enjoei, que começou como um blog e hoje é uma plataforma de comércio eletrônico que conecta vendedores e compradores. Outro exemplo é o brechó online Repassa.br, que foi adquirido pelo grupo Renner, reforçando a estratégia de circularidade da marca.
O papel do Instagram no crescimento dos brechós
Se você ainda não percebeu, o Instagram é um verdadeiro aliado para os brechós. Com mais de 5,9 milhões de menções à hashtag “brechó”, a plataforma se tornou um espaço de vendas acessível e de baixo custo. É claro que o sucesso depende de boas fotos e de uma atualização constante das ofertas. Já falamos por aqui sobre como usar as redes sociais para vender, então vale a pena investir nessa estratégia.
Artigos de luxo de segunda mão
Outro nicho que está em expansão é o de artigos de luxo. Brechós que vendem produtos de marcas renomadas estão atendendo a um público que busca qualidade a preços mais acessíveis. Estima-se que os descontos podem chegar a 70% em comparação com as lojas de luxo. O comerciante geralmente fica com 17% a 20% do valor da venda, e o faturamento depende da quantidade de peças oferecidas.
Um exemplo interessante no cenário internacional é a Gucci, que lançou uma parceria com o brechó online The RealReal, criando uma seção de usados da marca. Aqui no Brasil, brechós como Peguei Bode, Etiqueta Única e B.luxo estão se destacando e podem servir de inspiração para quem quer entrar nesse mercado.
- Separe suas peças de roupas de marcas famosas e monte uma seção "Luxo" no seu brechó — a demanda por artigos de luxo de segunda mão está crescendo.
- Teste a venda no Instagram: crie uma vitrine virtual com boas fotos e use hashtags estratégicas como “brechó” e “vintage” para atrair clientes.
- Inspire-se em iniciativas como a Lululemon e pense em parcerias com influenciadores locais para aumentar a visibilidade do seu brechó.


