Os motivos pelos quais a Geração Z veste de segunda mão: «Nota-se muito que é de melhor qualidade»
Uma análise do crescente interesse da Geração Z por roupas de segunda mão e suas motivações, desde a qualidade até a sustentabilidade.

Nos últimos anos, as ruas de várias cidades brasileiras têm se enchido de brechós e lojas com a etiqueta de ‘vintage’ e moda sustentável. Embora o conceito de comprar roupas de segunda mão não seja novo, a verdade é que agora as gerações mais jovens estão apostando nisso com uma força que não se via antes. E, sim, os números mostram isso: segundo uma pesquisa da Organização de Consumidores e Usuários (OCU), 75% dos brasileiros entre 18 e 64 anos compraram pelo menos um produto de segunda mão no último ano. Quando se trata de roupas, essa preferência é ainda mais forte entre os menores de 35 anos.
A qualidade que faz a diferença
Um exemplo claro dessa tendência pode ser encontrado em lojas como a Flama Vintage, que se especializa em roupas de segunda mão de marcas urbanas e alternativas. O dono, Pablo Maraña, explica que a qualidade superior de muitas peças e os preços acessíveis são algumas das razões pelas quais os jovens estão cada vez mais inclinados a optar por roupas de brechó. "Basta olhar a etiqueta da roupa. Muitas vezes, se investe em materiais mais baratos e isso se reflete na qualidade", comenta Maraña, ao comparar as roupas de grandes varejistas com as de décadas passadas. Ele ressalta que muitas marcas têm feito roupas de qualidade inferior, enquanto as peças dos anos 90 e 2000 ainda são notavelmente superiores.
Aposta ecológica e consciência ambiental
Mas a questão não é apenas sobre qualidade e preço. A indústria do ‘fast fashion’ é responsável por cerca de 10% das emissões globais de carbono e 20% das águas residuais. Para se ter uma ideia, a produção de uma única camiseta consome aproximadamente 2.700 litros de água, enquanto a fabricação de um par de jeans pode chegar a 7.500 litros. Além disso, até 85% dessas roupas acabam incineradas ou em aterros sanitários.
Esse impacto ambiental é uma preocupação que lojas como a Contrabanda Granada têm em mente. Além de vender roupas de segunda mão, elas mantêm uma postura crítica em relação ao impacto negativo da produção em massa. A proprietária, Manon Waterschoot, explica que a cada nova temporada, toneladas de roupas são geradas, enquanto a expectativa de vida das peças antes era de muitos anos. "Já existem no planeta roupas suficientes para que todos nós possamos nos vestir de maneira diferente todos os dias durante sete gerações", afirma Waterschoot. "O que podemos fazer para parar isso, nós estamos fazendo. Estamos ajudando a criar uma alternativa boa e barata".
O estilo pessoal em foco
Ao visitar essas lojas, é comum ver pessoas saindo com pilhas de roupas, especialmente durante promoções em que os preços variam entre R$10 e R$25. Mas, além da qualidade e da consciência ambiental, a Geração Z também busca roupas de segunda mão porque muitas tendências do passado estão voltando à moda. Os consumidores têm liberdade para escolher peças que realmente refletem seus gostos pessoais, sem se prender a padrões impostos pela indústria.
É um fato que a moda é cíclica, mas o que realmente se destaca é a atitude das novas gerações. Cada vez mais conscientes sobre o impacto de suas escolhas, eles estão em busca de alternativas que lhes permitam se vestir da maneira que realmente desejam, sem abrir mão da sustentabilidade.
"Já existem roupas suficientes no planeta para que todos nós possamos nos vestir de maneira diferente todos os dias durante sete gerações" — Manon Waterschoot, proprietária da Contrabanda Granada.
- Separe suas peças de marcas que eram populares nos anos 90 e 2000 e destaque-as como itens de qualidade superior.
- Organize um evento de troca de roupas em sua loja, promovendo a ideia de reciclagem e sustentabilidade.
- Crie uma seção de "tendências do passado" em sua vitrine, com peças que remetam a décadas anteriores, atraindo os jovens que buscam estilo e autenticidade.


