Moda circular: Riachuelo, C&A e Farm Rio se juntam à causa sustentável
Grandes varejistas como Riachuelo, C&A e Farm Rio estão apostando na moda circular, com iniciativas de coleta e reciclagem de roupas. Para donas de brechó, isso significa mais concorrência e uma oportunidade de se destacar ao oferecer produtos sustentáveis (uma boa hora para repensar o estoque).

A moda circular não é mais exclusividade dos brechós. Agora, grandes varejistas como Riachuelo, C&A e Farm Rio estão abraçando essa tendência e fazendo dela uma parte fundamental de suas estratégias. Uma pesquisa do Sebrae, realizada em 2025, revela que os consumidores estão dispostos a gastar, em média, entre R$ 50 e R$ 100 em marcas que priorizam a sustentabilidade. E isso, claro, impacta diretamente o seu brechó.
A moda circular em grandes marcas
As grandes varejistas estão se adaptando e incluindo a circularidade em suas operações. A Riachuelo, por exemplo, conta com uma rede de mais de 225 coletores em diversas regiões do Brasil, onde os consumidores podem deixar roupas de diferentes marcas. As peças são triadas e, dependendo da sua condição, seguem para diferentes destinos.
- As roupas em bom estado vão para a Liga Solidária, que as vende em bazares para financiar projetos sociais.
- As peças 100% algodão são transformadas em fio reciclado e retornam à indústria da moda.
- O que não pode ser reciclado é convertido em energia em ambiente controlado.
Além disso, a Riachuelo tem um parque têxtil na América Latina onde 100% das sobras têxteis são reaproveitadas. Aproximadamente 40% das roupas da marca são produzidas nesse parque, e com maquinários que garantem alta precisão, 85% dos tecidos cortados são aproveitados.
“Nossa fábrica alcançou a marca de 86% de fios e tecidos mais sustentáveis em 2025”, afirma Taciana Abreu, diretora de Sustentabilidade da Riachuelo.
A C&A e seu Movimento ReCiclo
A C&A também não fica atrás. Desde 2017, a marca implementou o Movimento ReCiclo, que já está presente em mais de 77% das lojas do Brasil. O programa permite que os consumidores deixem suas roupas em urnas de coleta permanentes. O resultado? Cerca de 88% das peças em bom estado são doadas a projetos sociais, enquanto o restante é reciclado ou, se não for possível reaproveitar, destinado ao coprocessamento.
Desde 2021, a C&A já produziu mais de 254 mil peças sob a lógica da circularidade, incluindo shopper bags circulares feitas a partir de resíduos têxteis e jeans pós-consumo. Isso é um exemplo de como a circularidade pode estar presente em toda a operação da empresa.
“A circularidade na C&A não se limita a iniciativas pontuais, mas é uma mudança estrutural”, destaca Cyntia Kasai, gerente sênior de Comunicação e ASG da C&A.
Farm Rio e a transformação de excedentes
A Farm Rio, parte do grupo Azzas 2154, também está investindo na circularidade. A marca destina seus excedentes têxteis a parceiros como a Oficina Muda e o Instituto Muda+, onde esses materiais são transformados em novos produtos. Em 2025, foram 27,8 toneladas de tecidos reaproveitados, gerando cerca de R$ 2,1 milhões em renda.
Além disso, a Farm Rio tem incentivado o cuidado e o reparo das peças, em parceria com a Sojo, e mantém iniciativas de revenda, como o Closet to Closet. A marca criou cerca de 362 produtos em ambiente digital, evitando o desperdício de 2,5 km de tecidos.
“A economia circular vai muito além do second hand. Acreditamos que cada peça carrega potencial para viver novas histórias”, comenta Andrezza Cruz, head de Sustentabilidade da Farm Rio.
O crescimento do re-commerce
O re-commerce, ou a venda de itens de segunda mão, está se consolidando como um hábito de consumo. Um estudo da plataforma Enjoei, realizado em 2023, mostra que 56% da população brasileira já comprou ou vendeu itens de segunda mão. E a expectativa é que esse segmento cresça entre 15% e 20% ao ano até 2030, superando até mesmo o ritmo do fast fashion no Brasil.
Iuri Ribeiro, CGO do Enjoei, explica que a circularidade cria um ciclo de fidelização onde o comprador de hoje pode ser o vendedor de amanhã. Isso abre uma nova perspectiva para as donas de brechó, que podem se beneficiar dessa mudança de comportamento do consumidor.
Desafios da circularidade
Apesar do avanço, ainda há desafios a serem enfrentados. Para a Riachuelo, a ampliação da circularidade depende de investimentos e políticas públicas. Taciana Abreu observa que, embora a sustentabilidade seja um argumento positivo, o preço ainda é o principal critério de decisão de compra.
Na C&A, o desafio é a infraestrutura necessária para expandir essas iniciativas. A empresa reconhece que parcerias são fundamentais para o desenvolvimento da agenda de circularidade no Brasil.
- Separe suas peças de algodão e crie uma seção de roupas recicladas em seu brechó, inspirando-se no trabalho da Riachuelo com a Liga Solidária.
- Monte um espaço para a coleta de roupas usadas em seu brechó, similar ao Movimento ReCiclo da C&A, e incentive seus clientes a contribuírem.
- Desenvolva parcerias com costureiras locais para promover o reparo e a ressignificação de peças, como faz a Farm Rio com a Sojo.


