Moda circular: como brechós ajudam a salvar o planeta e economizar na prática
O mercado de moda circular está em alta, com 70% dos consumidores valorizando a sustentabilidade ao comprar roupas de segunda mão, segundo pesquisa do BCG. Para quem tem brechó, isso significa uma oportunidade de crescimento: a expectativa é que esse setor supere o fast fashion até 2030 (e quem não gosta de um achado?).

Quando se fala em moda circular, a história de Bárbara Franz é um ótimo exemplo. Desde pequena, ela já se acostumou a usar roupas de segunda mão, heranças das irmãs e da família. Hoje, aos 33 anos, ela vê essa prática como uma forma de economizar e, claro, de contribuir para a sustentabilidade. “Adoro brechós”, diz Bárbara, que tem um olhar apurado para tecidos naturais, como algodão e linho, e evita o poliéster, que solta microplásticos. Uma prática que, convenhamos, faz todo o sentido, especialmente para quem está no ramo de brechós.
O Crescimento do Mercado de Moda Circular
De acordo com um estudo do Boston Consulting Group (BCG) em parceria com o Enjoei, 70% dos compradores de itens usados valorizam o fator sustentável. Esse número subiu de 62% em 2018, o que mostra que a consciência ambiental está ganhando espaço (e clientes) no mercado. A estimativa é que o setor de moda circular cresça entre 15% e 20% nos próximos anos, superando o mercado de fast fashion até 2030. Para quem tem brechó, isso é um sinal claro: o futuro é promissor.
O impacto ambiental da indústria têxtil é alarmante. Ela é responsável por cerca de 8% da emissão de gases de efeito estufa, e a produção de um quilo de tecido consome uma quantidade absurda de água e produtos químicos. Além disso, a cultura do descarte é tão intensa que, a cada segundo, um caminhão de roupas usadas é jogado em aterros ou queimado. Portanto, a moda circular não é apenas uma tendência; é uma necessidade urgente.
O Que Leva as Pessoas a Comprar de Segunda Mão?
Embora a sustentabilidade seja um fator importante, o que realmente atrai a maioria dos consumidores para a moda circular é o preço. Ana Luiza McLaren, cofundadora do Enjoei, explica que as pessoas buscam qualidade a preços acessíveis. Depois disso, vem a questão da sustentabilidade e, por último, a busca por peças únicas. Isso é algo que você pode explorar no seu brechó: destaque a qualidade e a exclusividade das suas peças, e não apenas o aspecto sustentável.
Marília Gabriel, de 25 anos, é um exemplo perfeito desse novo consumidor. Ela começou a comprar em brechós aos 17 anos e hoje consome quase exclusivamente de lojas de segunda mão. “Pagar menos por roupas de qualidade e ainda encontrar marcas de luxo é um grande atrativo”, conta. Além de comprar, Marília também troca suas roupas, uma prática que pode ser uma boa ideia para você implementar em seu brechó, criando um ambiente de troca e colaboração.
Desmistificando a Venda de Roupas Usadas
Ainda existe um certo tabu em relação à venda de roupas usadas. Muitas pessoas sentem culpa por vender em vez de doar, mas a verdade é que muitas peças ficam paradas no armário sem serem usadas. Ana Luiza reforça que quem tem o hábito de doar não vai deixar de fazê-lo, mas a venda pode ser uma alternativa viável e lucrativa. Para você, dona de brechó, isso significa que pode incentivar seus clientes a venderem suas roupas em vez de apenas doá-las, criando um ciclo de consumo mais sustentável.
O Mercado de Luxo e a Moda Circular
Surpreendentemente, o mercado de luxo também está se adaptando a essa tendência. Um estudo da BCG revelou que a compra e venda de itens luxuosos de segunda mão alcançou 36 bilhões de dólares, representando cerca de 9% do mercado de luxo. Os millennials e a Geração Z estão liderando essa demanda, atraídos pela experiência de compra online que é similar à de produtos novos. É uma oportunidade para você, que pode considerar a inclusão de itens de luxo em seu brechó, atraindo um público que valoriza a exclusividade e a sustentabilidade.
Jonathan Marques, fundador da plataforma ADN Reset, argumenta que a moda pode ser sustentável e ainda assim estilosa. Ele acredita que o consumo consciente deve estar alinhado com o design e a estética. Isso é algo que pode ser aplicado no seu brechó: escolha peças que não só sejam sustentáveis, mas que também tenham um apelo visual forte.
A estilista Ana Luisa Fernandes, por sua vez, trabalha com matérias-primas nacionais e foca em um design que valoriza a economia local. Essa prática não só reduz a emissão de CO2, como também apoia a mão de obra local. Para você, isso pode ser um lembrete de que, ao escolher as peças para o seu brechó, é possível dar preferência a marcas que seguem essa filosofia.
A Importância da Inovação na Moda Sustentável
A Yes I am Jeans, por exemplo, é uma marca que se destaca por suas práticas sustentáveis, utilizando processos de produção mais limpos. Elas estão desenvolvendo uma calça feita 100% de lixo têxtil e possuem um projeto de upcycling para jeans usados. Isso mostra que a inovação é fundamental para se destacar no mercado. Pense em como você pode inovar no seu brechó: talvez um projeto de upcycling ou uma parceria com marcas locais que compartilhem a mesma visão de sustentabilidade.
- Incentive seus clientes a venderem roupas usadas em vez de apenas doá-las, criando um ciclo de consumo sustentável no seu brechó.
- Separe as peças de luxo que você tem em estoque e crie uma seção especial, destacando a exclusividade e a sustentabilidade dessas roupas.
- Considere parcerias com marcas locais que sigam a filosofia da moda sustentável, ampliando sua oferta e atraindo novos clientes.


