Brechós em alta: moda de segunda mão fortalece economia circular e consumo consciente
O mercado de brechós está em alta, impulsionado pela busca por consumo consciente e moda circular, com uma geração Z cada vez mais interessada em peças de segunda mão. Isso significa que, para quem tem um brechó, é hora de se adaptar e aproveitar essa nova onda de valorização das roupas reutilizadas (quem diria que a economia circular viraria moda, não é?).

O mercado de brechós está em alta e, acredite, isso vai muito além de economizar uns trocados. Com a crescente conscientização sobre o consumo responsável e a moda circular, cada vez mais pessoas estão se jogando na moda de segunda mão. E você, dona de brechó, pode aproveitar essa onda para fortalecer seu negócio e contribuir com o meio ambiente.
A mudança de comportamento dos consumidores
Marina Barroso, uma jovem redatora de marketing, é um exemplo claro dessa nova geração que abraça a moda de segunda mão. Ela começou a garimpar peças em brechós aos 18 anos, inicialmente buscando economia, mas, com o tempo, essa prática se transformou em uma escolha consciente. “A mudança não aconteceu da noite para o dia”, explica. “Foi um processo de reflexão sobre o impacto ambiental e a vontade de levar esse hábito adiante.”
Essa preocupação não é à toa. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a indústria têxtil é responsável por 2% a 8% das emissões globais de gases de efeito estufa. E, pasmem, no Brasil, são geradas 170 mil toneladas de resíduos têxteis por ano, segundo o Sebrae. Portanto, a reutilização de roupas através de brechós, bazares e feiras é uma forma eficaz de reduzir esse descarte e prolongar o ciclo de vida das peças.
O papel da internet na popularização dos brechós
Marina também destaca a importância da internet nesse cenário. As redes sociais têm um papel crucial na divulgação e na curiosidade em torno dos brechós. “Quando alguém descobre um brechó e compartilha na internet, a informação chega mais fácil nas pessoas”, afirma. E isso é uma mão na roda para quem tem um brechó, já que a visibilidade é essencial para atrair novos clientes.
A moda circular e a nova percepção dos brechós
Daiane Lima, dona de um brechó na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, percebeu uma mudança significativa na forma como as pessoas enxergam os brechós. “Hoje, comprar em brechó é uma escolha, não apenas uma necessidade. As pessoas buscam peças únicas e com personalidade”, explica. Essa nova mentalidade está alinhada com o que a Organização das Nações Unidas (ONU) aponta: o consumo de roupas aumentou 60% nos últimos 10 anos, com cada peça durando metade do tempo que costumava durar no passado.
Daiane também fala sobre o preconceito que ainda existe em relação a roupas de segunda mão. “Não é só pegar uma roupa usada e colocar à venda. A peça precisa estar em boas condições e, quando necessário, passar por higienização ou reparos.” Essa curadoria é fundamental para garantir que os clientes tenham uma experiência positiva, e isso pode ser um diferencial no seu brechó.
Políticas públicas em prol da economia circular
As mudanças no comportamento do consumidor estão sendo acompanhadas por políticas ambientais que incentivam a redução e reaproveitamento de produtos. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou medidas que visam a redução de resíduos e a reutilização, além da destinação ambientalmente adequada. Essas políticas estão em sintonia com a Lei 9.072/20, que promove a economia circular e estimula a valorização dos produtos e seu reaproveitamento.
Com o apoio dessas iniciativas, a moda de segunda mão não é apenas uma tendência passageira, mas uma mudança de paradigma que pode fortalecer os brechós e, ao mesmo tempo, contribuir para um futuro mais sustentável.
- Separe suas peças que têm história e monte uma seção “Histórias de Brechó” para engajar seus clientes.
- Teste a divulgação de suas peças nas redes sociais, mostrando o processo de curadoria e higienização que você faz — isso pode atrair novos consumidores.
- Considere criar um evento mensal no seu brechó, como um bazar, para incentivar a troca de peças e promover a economia circular local.


