Brechó Desapeguei Bonito: de armário a comunidade em Brasília
Ana Carolina Rosignoli, grávida e sem emprego, transformou seu brechó, Desapeguei Bonito, em Brasília, em uma próspera comunidade de empreendedoras e clientes. A história delas mostra como o vínculo com as clientes e a presença nas redes sociais podem ser a chave para o sucesso (quem diria que um armário poderia gerar tanta conexão?).

Quando a vida te surpreende, é hora de se reinventar. Foi exatamente o que aconteceu com Ana Carolina Rosignoli, que, grávida e sem emprego, decidiu olhar para o próprio armário e enxergar ali uma chance de empreender. O que começou como uma venda de roupas usadas no Instagram se transformou no Brechó Desapeguei Bonito, em Brasília, uma verdadeira comunidade de moda e amizade.
O início da jornada empreendedora
A história do DB começou em 2014, quando Ana Carolina, aos 22 anos, decidiu vender algumas peças que não usava mais. O que parecia ser uma simples ação de desapego rapidamente se transformou em algo maior. “No ritmo dele, o brechó foi tomando corpo e eu fui sentindo que tinha um retorno e vi que tinha uma oportunidade”, conta Carol. E assim, a venda de roupas foi se expandindo: primeiro, para as amigas, e depois, para as amigas das amigas.
Até 2016, o DB existia apenas nas redes sociais. Mas tudo mudou em 2017, quando Ana Carolina reencontrou a amiga Thais Tibery. Com a ideia de abrir uma loja física, as duas se uniram e inauguraram um pequeno espaço, que Carol carinhosamente chama de “quadradinho”. Esse local se tornou um ponto de encontro, onde as compradoras podiam conhecer pessoalmente as empreendedoras por trás do brechó.
Crescimento e comunidade
A conexão com as clientes foi crescendo e, com isso, a necessidade de um espaço maior. Foi então que Ana Paula Gonçalves entrou na história. Inicialmente, ela se candidatou a uma vaga de estoquista, mas Carol percebeu que suas habilidades seriam mais úteis na parte de vendas. O que começou como um emprego se transformou em uma parceria sólida.
A comunidade criada em torno do DB é um dos pilares do sucesso do brechó. Ana Paula, que já acompanhava o trabalho das sócias nas redes sociais, encontrou no DB um espaço autêntico e acolhedor, onde a comunicação sempre foi próxima. “Eu tinha acabado de voltar de uma missão voluntária no Peru e não tinha muita certeza do futuro. Foi quando vi a vaga e resolvi arriscar”, conta Ana Paula.
Ao longo dos anos, o DB não apenas se expandiu fisicamente, com a abertura de três lojas, mas também se firmou como um espaço de apoio mútuo. As sócias perceberam que estavam construindo uma comunidade que não apenas consumia, mas que também se apoiava e se conectava.
Desafios e superações em tempos incertos
Em 2020, quando as empresárias decidiram se mudar para um espaço ainda maior, o mundo foi surpreendido pela pandemia. O que poderia ser um grande desafio se transformou em uma oportunidade de adaptação. Com a loja fechada, elas se dedicaram a criar conteúdo para o e-commerce. “Com a loja fechada e só o site ativo, foi quando a ‘magia’ aconteceu e vi que ali era muito mais do que um emprego”, explica Ana Paula. A união da equipe e a força da comunidade se tornaram essenciais para superar os desafios do momento.
Durante a pandemia, Ana Paula foi convidada a se tornar sócia, e mesmo em tempos incertos, as sócias viram uma oportunidade de se impulsionarem mutuamente. Elas perceberam que o DB não era apenas um negócio, mas uma parte importante da vida de muitas pessoas.
Um olhar para a sustentabilidade
Inicialmente, a preocupação com a sustentabilidade não era o foco de Ana Carolina. O objetivo era ter um retorno financeiro rápido. No entanto, com o tempo, as sócias começaram a enxergar o potencial do brechó em promover uma economia mais verde. “A gente começou a olhar para a questão de sustentabilidade e que ela estava muito próxima do que a gente fazia de uns dois anos para cá. Só pelo fato do DB existir já faz um ciclo mais sustentável”, explica Ana Carolina.
Esse olhar mais consciente trouxe novas oportunidades, permitindo que produtos de qualidade, que muitas vezes têm um custo elevado no mercado, fossem oferecidos a preços mais acessíveis. Assim, o DB não só contribui para a economia, mas também para a redução do impacto ambiental.
A força do empreendedorismo feminino
Ser mulher empreendedora ainda traz desafios, e as sócias do DB têm suas experiências para contar. Ana Carolina afirma que, ao longo da jornada, enfrentaram situações que homens muitas vezes não passam. “Hoje em dia, eu acho que ser mulher empreendedora é uma benção”, reflete. Ana Paula, por sua vez, compartilha que, em certos momentos, se sentiu uma impostora, como se o papel de empreendedora fosse reservado apenas aos homens. Essa percepção mudou quando elas se mudaram para a loja atual, e Ana Paula viu a força que a equipe tinha.
Aprendizados e conselhos
Como em qualquer negócio, os erros são parte do aprendizado. Quando questionadas se mudariam alguma escolha na jornada, ambas concordam que não alterariam nada. “Tudo aconteceu da maneira que tinha que ser, porque se tivesse feito algo diferente, talvez nem tivesse passado pelas coisas boas”, afirma Carolina. Para elas, o importante é pensar a longo prazo e buscar soluções que façam o negócio funcionar bem.
Ao final, a mensagem é clara: “não tem como fugir do clichê ‘apenas faça’!”, diz Carolina. E, claro, a preparação é fundamental. “Depois que começar, estude, pois vai chegar um momento em que vai precisar de recursos educacionais para poder seguir adiante; quanto mais preparada você for, melhor vai conseguir passar pelos obstáculos”, completa.
- Separe algumas peças que você não usa mais e teste a venda pelo Instagram — pode ser o primeiro passo para criar sua própria comunidade, assim como fez Ana Carolina.
- Monte um espaço físico, mesmo que temporário, para receber suas clientes. Um “quadradinho” pode se tornar um ponto de encontro e fortalecer laços.
- Considere a sustentabilidade no seu brechó: busque parcerias para oferecer produtos de segunda mão e novos a preços acessíveis, gerando menos impacto ambiental.


